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Blood pressure and cardiovascular risks: implications of the presence or absence of nocturnal dip in blood pressure.


Weir MR, Blantz R.
Curr Opin Nephrol Hypertens 12: 57-60, 2003.




A ausência do descenso noturno da pressão arterial ("non-dipping") tem assumido relevância clínica crescente devido a esse grupo de pacientes apresentar maior evidência de lesão em órgãos-alvos (hipertrofia ventricular esquerda, microalbuminúria) e maior incidência de morbidade e mortalidade cardiovascular. Acerca desta constatação algumas dúvidas surgem:

 Poderia realmente a ausência do descenso noturno antever com maior precisão a ocorrência de eventos cardiovasculares e morte independentemente da pressão arterial média diurna ou de 24 horas ? Dados de um sub-estudo derivado do Syst-Eur com 808 pacientes que realizaram MAPA antes e após a instituição do tratamento mostraram que o risco cardiovascular era maior nos pacientes "non-dipping" mesmo após a correção para a média pressórica de 24 horas. Além do mais quando utilizou-se o índice "night-to-day" da pressão sistólica como uma variável contínua, verificou-se um aumento de 41% do risco cardiovascular para cada 10% de incremento do índice "night-to-day" da pressão arterial.

 Qual a causa da ausência do descenso noturno da pressão arterial verificado nestas pessoas? O fenômeno da queda da pressão arterial a noite é extremamente complexo, sendo influenciado por inúmeras condições, desde a simples resposta fisiológica ao decúbito, passando por redução da atividade simpática no sono e sofrendo influência da sensibilidade individual ao sal . Logo, o fenômeno de "non-dipping", por inferência, é multifatorial e um "campo aberto" para a pesquisa clínica.

 O fato de um paciente não apresentar o descenso noturno da pressão arterial muda de alguma forma a estratégia terapêutica na prática clínica? É bem possível que a restauração do descenso noturno possa traduzir-se em uma redução em eventos cardiovasculares, porém faltam evidências clínicas para tal afirmação. Caso opte-se por tentativas neste sentido, as drogas que até o momento têm-se mostradas efetivas em reduzir a pressão arterial também no sono são os diuréticos e aquelas que bloqueiam o sistema renina-angiotensina-aldosterona (inibidores da enzima de conversão e antagonista da angiotensina II).



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Dr. Giovânio Vieira da Silva
Sob supervisão do Dr. Decio Mion e Dr. Fernando Nobre


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