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Comparative effects of candersatan and hydrochlorothiazide on blood pressure, insulin sensetivity, and simpathetic drive in obese hypertensive patients individual: results of CROSS study.


Grassi G, Servalle G, Dell'Oro R, et al.
J Hypertens 21: 1761-1769, 2003.




Obesidade é um fator de risco independente para doença cardiovascular. Mesmo sendo alta a associação entre obesidade e resistência a insulina, dislipidemia e hipertensão arterial, parece que o aumento do peso corporal por si só está relacionado com este risco aumentado. Um dos fatores que podem explicar esta constatação seria uma atividade intrísica aumentada do sistema nervoso simpático presente nos obesos, que seria responsável, entre outras coisas, por uma maior resistência a insulina e vasoconstricção periférica.

Com esta fundamentação teórica, o presente trabalho buscou avaliar a ação de um antagonista da angiotensina II (candersatan) e um diurético (hidroclorotiazida), não só na redução da pressão arterial em pacientes obesos, mas também num possível benefício que o candersatan teria em diminuir a atividade simpática destes indivíduos com conseqüente melhora na resistência a insulina, baseado no fato que em animais de experimentação, a angiotensina II teria um efeito estimulador no sistema nervoso simpático.

Cento e vinte e sete obesos hipertensos foram randomizados para receber candersatan (8-16 mg) e hidroclorotiazida (25-50 mg), sendo acompanhados por um período de 12 semanas. Antes e ápos a instituição do tratamento, a pressão arterial de consultório, a atividade simpática (dosagem de catecolaminas séricas e microneurografia) e a sensibilidade a insulina (teste oral de tolerância a glicose com determinação da glicemia e insulinemia concomitantemente) foram avaliadas.

Os resultados foram os seguintes: tanto o candersatan como a hidroclorotiazida reduziram a pressão arterial com a mesma magnitude. No entanto, a sensibilidade a insulina foi significantemente aumentada com o uso do candersatan, possivelmente, devido a uma menor atividade simpática mensurada na microneurografia neste mesmo grupo de pacientes.

Portanto, apesar destes resultados ainda precisarem de comprovação com uma maior número de pacientes e principalmente, necessitarem de um maior tempo de acompanhamento para mensurar-se também uma possível diferença entre os grupos em termos de lesão em órgãos-alvos e morbi-mortalidade cardiovascular, parece que o uso de um antagonista da angiotensina II é, até o momento, a abordagem mais racional para o tratamento anti-hipertensivo medicamentoso de pacientes hipertensos obesos.



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Dr. Giovânio Vieira da Silva
Sob supervisão do Dr. Decio Mion e Dr. Fernando Nobre


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