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Obesity, Sleep Apnea and Hypertension.


Wolk R, Shamsuzzaman ASM, Somers V.
Hypertension 42: 1067-1074, 2003.




A apnéia do sono, entidade clínica caracterizada por episódios recorrentes de interrupção do fluxo de ar nas vias aéreas superiores durante o sono, tem sido associado em vários estudos com obesidade e hipertensão arterial. Visto as duas últimas condições implicarem em significativo risco cardiovascular e como a prevalência da apnéia no sono estar em ascensão, provavelmente decorrente da epidemia de obesidade presente em diversos países, um maior conhecimento destas inter-relações é de fundamental importância para um melhor entendimento da fisiopatatologia e manuseio da hipertensão arterial.

Esta interessante revisão sobre o assunto aborda com propriedades estes aspectos. Primeiramente, pelo fato de atualmente a apnéia do sono encabeçar a lista das causas de hipertensão secundária, o diagnóstico de tal condição deve ser obrigatoriamente suspeitado em situações como hipertensão refratária, hipertensão em pacientes com obesidade, ausência de queda noturna da pressão arterial e em pacientes hipertensos com sintomatologia própria da síndrome (ronco, ruim qualidade no sono, sonolência diurna excessiva). Além do mais, existem métodos diagnósticos específicos e validados para o reconhecimento da doença (polisonografia), bem como intervenções terapêuticas eficazes (aplicação de CPAP noturno) não só sobre os sintomas, mas também na redução da pressão arterial.

Quanto a questões acerca da fisiopatologia da apnéia do sono e suas possíveis contribuições na gênese da elevação da pressão arterial, vários aspectos podem estar envolvidos, tais como hipertatividade simpática e do sistema renina-angiotensina-aldosterona, alterações na função renal levando a menor excreção de sódio, aumento na leptina sérica com seu conhecido efeito vasopressor, entre outros.

Portanto, o potencial da apnéia do sono em aumentar o risco cardiovascular em pacientes obesos e hipertensos, condição cada vez mais freqüente na prática diária, com certeza vai merecer cada vez mais atenção de pesquisadores e clínicos que trabalham com hipertensão arterial.



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Dr. Giovânio Vieira da Silva
Sob supervisão do Dr. Decio Mion e Dr. Fernando Nobre

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