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Clement DL, Buyzere MLD, Bacquer DAD, et al.
N Engl J Med 2003; 348:2407-15. Baseado em vários estudos clínicos e populacionais, é bem estabelecido que tanto a medida elevada da pressão arterial no consultório quanto a detecção de hipertensão arterial pela monitorização ambulatorial da pressão arterial (MAPA), são bons preditores de incidência de eventos cardiovasculares. No entanto, na maioria desses estudos, os dados advindos da MAPA foram de pacientes inicialmente não submetidos a tratamento para a pressão arterial. O tão esperado resultado do "Office versus Ambulatory Pressure Study" publicado neste artigo, demonstra que a ocorrência de eventos cardiovasculares em pacientes sob tratamento anti-hipertensivo é mais bem predito pela MAPA do que pela pressão arterial de consultório, mesmo após a correção para os clássicos fatores de risco para doença cardiovascular. Para chegar a tal conclusão, buscou-se associar a MAPA e a pressão arterial basal de consultório com a incidência de eventos cardiovasculares, tais como, acidente vascular cerebral, infarto agudo do miocárdio, angina pectoris, insuficiência cardíaca congestiva e insuficiência vascular periférica (primary end-points), numa amostra de 1963 pacientes hipertensos já em tratamento há pelo menos 3 meses, em um período médio de acompanhamento de 5 anos. O resultado mais notável do estudo foi que os pacientes com a pressão arterial sistólica média de 24hs determinada pela MAPA maior que 135 mmHg tiverem quase duas vezes mais eventos cardiovasculares do que os pacientes com a pressão arterial sistólica média de 24 horas menor que 135 mmHg (risco relativo de 1,74 com intervalo de confiança entre 1,15 e 2,63), independetemente dos demais fatores de risco cardiovascular, inclusive da pressão arterial de consultório. Entre as possíveis críticas que o trabalho pode ter, uma seria que a maioria dos pacientes analisados não apresentava um bom controle da pressão arterial quando avaliados através da medida de consultório (apenas 25% dos pacientes apresentavam uma pressão arterial sistólica abaixo de 140 mmHg). No entanto, considerando-se que a proporção de pacientes com a pressão arterial controlada na prática clínica é habitualmente esta, o trabalho mostrou dados muito mais próximo da realidade cotidiana e portanto, suas conclusões devem ser valorizadas. Outra questão seria a seguinte: apesar de tratar-se de um estudo prospectivo, o mesmo foi somente observacional, já que nenhuma intervenção foi realizada de maneira controlada visando-se obter um melhor controle da pressão arterial dos pacientes, deixando dúvidas a respeito da qualidade do tratamento instituído e principalmente, se o padrão de comportamento da pressão arterial dos indivíduos se manteve inalterado durante todo o período do estudo. Contudo, com essas novas evidências, pelo menos uma nova questão reaparece: o número de eventos cardiovasculares em pacientes hipertensos poderia ser reduzido caso tivéssemos como alvo de tratamento o controle pressórico ótimo (PA < 135/85 mmHg) pela MAPA em relação ao corriqueiro uso da medida da pressão arterial de consultório? Provavelmente sim, porém essa pergunta só será respondida com a realização de outros estudos com esse enfoque. Clique aqui para acessar o resumo do artigo Dr. Giovânio Vieira da Silva
Sob supervisão do Dr. Decio Mion e Dr. Fernando Nobre |
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