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Role of blood pressure monitoring in non-pharmacological management of hypertension.


Kawano Y.
Blood Pressure Monitoring; 7:51-54, 2002.



O tratamento não medicamentoso da hipertensão arterial baseado em mudanças no estilo de vida tais como redução de peso, prática de exercícios físicos e moderação no consumo e sal e álcool é universalmente preconizado nas várias diretrizes e consensos internacionais sobre o manejo da hipertensão arterial.

Embora a MAPA e a MRPA possam ser igualmente ou mesmo mais eficientes em determinar os efeitos destas mudanças comportamentais sobre a pressão arterial em relação a medida da pressão no consultório, não só por detectarem pequenas mudanças da pressão arterial durante o dia, mas também por eliminarem o viés do observador (efeito do avental branco), a aplicação destas metodologias têm sido pouco empregado nos estudos que avaliam a eficácia destas abordagens terapêuticas.

Este trabalho é uma revisão dos resultados de várias intervenções não farmacológicas no tratamento de hipertensos, com enfoque sobre os resultados advindos da MAPA.

- Redução de Peso: após um período de 3 semanas com dieta hipocalórica, 16 obesos hipertensos que tiveram uma perda média de peso de 4 Kgs no período, alcançaram uma redução da pressão média de 24hs pela MAPA de 10/4mmHg.

- Exercício Físico: embora de menor magnitude, a prática regular de exercício físico (caminhada) por um período de 4 semanas, também reduziu a média da pressão arterial de 24hs em 2,4/1,8mmHg em um grupo de 65 pacientes hipertensos sedentários.

- Restrição de Sal: vinte hipertensos submetidos a 7 dias de dieta hipossódica (25mmol/dia) tiveram redução da pressão média de 24hs de 9/4mmHg.

- Restrição ao Álcool: nesta situação, um resultado interessante é colocado. Os efeitos do consumo crônico de álcool sabidamente elevam a pressão arterial (pelo menos quando esta é aferida no consultório). No entanto, o resultado de um estudo em 34 hipertensos consumidores habituais de álcool e que foram submetidos a restrição de álcool durante 4 semanas, mostrou que a pressão média de vigília pelo MAPA teve uma redução de 3/2mmHg enquanto houve uma elevação da pressão média noturna de 4/2mmHg neste pacientes, não resultando portanto, em qualquer mudança da pressão média de 24hs. Esta informação sugere que talvez o efeito hipertensor do álcool possa ter sido superestimado em estudos anteriores, já que esses mediram a pressão arterial casualmente durante o dia.

- Interrupção do Tabagismo: outro resultado interessante. Fumantes em geral não apresentam níveis de pressão arterial mais elevados que os não fumantes, apesar da conhecida ativação do sistema nervoso simpático determinado pelo fumo. A interrupção do fumo por apenas um dia em 16 pacientes tabagistas hipertensos, resultou numa significativa redução da pressão média diurna (7/5mmHg), não se alterando no entanto, a pressão durante o sono. Estes resultados sugerem que talvez o efeito do fumo sobre a pressão arterial possa estar sendo subestimando.

Portanto, a MAPA é muito útil na avaliação da eficácia do tratamento não farmacológico da pressão arterial, já que fornece informações quantitativas (médias de pressão) e qualitativas (variações da pressão durante as 24hs) da pressão arterial em um dado indivíduo.



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Dr. Giovânio Vieira da Silva
Sob supervisão do Dr. Decio Mion e Dr. Fernando Nobre


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