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Wald NJ, Law MR.
BMJ 28: 1419-1424, 2003. Em virtude da dieta e do estilo de vida das populações dos países ocidentais é extremamente elevada à prevalência dos fatores de risco para as doenças cardiovasculares, tais como a obesidade, sedentarismo, tabagismo, hipertensão arterial e dislipidemias, explicando assim o porquê destas doenças serem as principais causas de morbidade e mortalidade nestas regiões. Baseado no fato que mudanças na dieta e no estilo de vida são difíceis e demoradas de serem implementadas e na existência de estudos e metas-análises demonstrando a efetividade e a segurança de uma série de drogas em reduzir estes fatores de risco, os autores deste artigo propõem uma estratégia preventiva "radical": o uso de uma combinação de drogas em uma única cápsula (batizada de "polypill") em pessoas com risco elevado de apresentar um evento cardiovascular. A "polypill" seria uma combinação de aspirina em dose baixa (75mg), estatina (sinvastatina 40mg), ácido fólico (0,8mg) e três hipotensores (tiazídico, ß-Bloqueador e inibidor da enzima conversora da angiotensina) na metade de suas doses padrões. Esta combinação, comprovadamente, seria capaz de minimizar alguns dos fatores de risco de doença cardiovascular, tais como a disfunção plaquetária, o colesterol fração LDL, o nível sérico de homocisteína e a hipertensão arterial. Entre os pontos "radicais" da proposta encontram-se os seguintes: - A "popypill" estaria indicada para todas as pessoas com mais de 55 anos e/ou aquelas com antecendentes de eventos cardiovasculares (AVC, IAM, etc) - Não haveria necessidade de aferir-se os fatores de risco antes da administração da "popypill", pois na população indicada para recebê-la, estes seriam altamente prevalentes, e nem após o início do tratamento, já que os componentes da formulação já se mostraram efetivos em reduzir tais fatores. - Os efeitos colaterais desta formulação aconteceriam em no máximo 15% das pessoas que a estivessem usando, sendo que na maioria delas, seriam de pequena importância clínica. - Estima-se que a "polypill" seria capaz de reduzir a incidência de eventos cardiovasculares em até 88%. Apesar de ser uma idéia interessante, a maioria dos dados apresentados não passam de especulações, faltando ainda um estudo em larga escala para confirmá-los (ou refutá-los). Cabe ainda lembrar que os tratamentos não-medicamentosos dos fatores de risco baseado em mudanças no estilo de vida são tão ou mais efetivos que o uso de medicações, sem falar que parecem ser uma maneira muito mais racional de enfrentar o problema. Clique aqui para acessar o resumo do artigo Dr. Giovânio Vieira da Silva
Sob supervisão do Dr. Decio Mion e Dr. Fernando Nobre |
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