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Do Thiazide Diuretics Confer Specific Protection Against Strokes?


Messerli FH, Grossman E, Lever AF.
Arch Intern Med 163: 257-2560, 2003.



Não se colocam dúvidas na constatação de que a redução dos níveis de pressão arterial previne de maneira significativa a ocorrência de acidentes vasculares encefálicos (AVE). Como a maioria dos trabalhos que validaram este afirmação tiveram como anti-hipertensivo de base um diurético tiazídico, tem-se levantado a seguinte questão: seria a proteção cerebrovascular proporcionada pelos diuréticos um efeito apenas decorrente da redução dos níveis pressóricos ou haveria algum efeito benéfico particular desta classe de droga quanto a proteção do sistema nervoso central?

Esta revisão, através da análise de inúmeros trabalhos, tenta responder esta questão. De uma maneira geral, em pacientes hipertensos não-complicados, ou seja, sem eventos cardiovasculares prévios ou sem grande agrupamento de fatores de risco cardiovascular, os tiazídicos realmente se mostraram mais eficientes em reduzir o números de AVE e o mais importante, esse benefício foi independente da redução do nível pressórico conseguido.

Exemplos disto não faltam: o PAST Study mostrou uma redução de 29% no risco de AVE com a indapamida em comparação com o perindropil, que reduziu o risco em apenas 5%. O MRC Study mostrou resultados semelhantes na comparação entre um tiazídico e um ß-Bloqueador. O mais recente estudo publicado sobre o tema (e talvez o de maior impacto) foi o ALLHAT Study, que também mostrou tendência de uma maior proteção cerebrovascular com a clortalidona em comparação com um a-bloqueador (doxazosina) e um inibidor da enzima de conversão da angiotensina (lisinopril).

No entanto, estas diferenças não parecem ocorrer quando da comparação dos tiazídicos com os antagonista da angiotensina II (LIFE Study) e com os bloqueadores do canal de cálcio (INSIGHT e ALLHAT Study). Esta maior redução na incidência AVE com os diuréticos também não se mostrou tão significativa assim em pacientes com risco cardiovascular elevado (HOPE study).

Portanto, a princípio, no que diz respeito a proteção cerebrovascular, os diuréticos tiazídicos parecem ser uma boa escolha para o início do tratamento da hipertensão arterial de pacientes não-complicados.




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Dr. Giovânio Vieira da Silva
Sob supervisão do Dr. Decio Mion e Dr. Fernando Nobre


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