No Combate à Hipertensão
Moderar o consumo do sal ajuda a manter a pressão sob controle
 


QUEM É O PROF. DÉCIO MION

O Dr. Décio Mion é médico, especialista no tratamento da hipertensão arterial.

PROF. DÉCIO RESPONDE

Nesta seção a Dra. Kátia Coelho Ortega sob a supervisão do Prof. Décio Mion, esclarece dúvidas sobre Hipertensão Arterial.


CLÍNICA PROF. DÉCIO MION

Localização, horários de atendimento e telefone.


PERGUNTAS FREQÜENTES
Perguntas frequentes sobre Hipertensão e outros temas.

CARTILHAS
Medida da pressão arterial , sal, atividade física, álcool, cigarro, estresse, obesidade e tratamento.

LIVRO PARA PACIENTES
Um de seus principais interesses, tanto na área de pesquisa como nos livros que escreve, é o de desenvolver métodos para evitar que os pacientes abandonem o tratamento.

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1 - Hipertensão é a mesma coisa que pressão alta? Acima de qual medida podemos dizer que estamos com pressão alta?
R: Sim, hipertensão e pressão alta são nomes diferentes para o mesmo problema. A pressão é considerada anormal quando igual ou acima de 14 por 9.


2 - Pressão alta tem cura?
R: Não. Infelizmente, a pressão alta não tem cura, mas tem tratamento. Com ele é possível controlar a pressão arterial de forma a não prejudicar o organismo.


3 - Quem toma remédio para pressão alta fica sexualmente impotente?
R: Não. Os remédios para o tratamento da pressão alta não causam impotência, mas a própria pressão alta, quando não tratada corretamente, pode provocar impotência.


4 - Sou hipertenso. Só preciso ir ao médico quando estou me sentindo mal?
R: Não. Os hipertensos devem ir a consultas periódicas, mesmo que estejam se sentindo bem.


5 - Não sinto nada. Mesmo assim, posso sofrer de pressão alta?
R: Sim. Este é um dos maiores enganos cometidos. A maioria das pessoas hipertensas não sente nada. A hipertensão não dá sinais e nem sintomas de que já está se instalando no organismo. Por isso é conhecida como a Inimiga Silenciosa.


6 - Tenho que parar de tomar o remédio quando vou beber?
R: Não. É contra-indicada a interrupção da medicação por causa do consumo moderado de bebidas alcoólicas. Desde que a quantidade de álcool seja moderada, você pode tomar os remédios como de costume.


7 - Tontura, vista embaçada, palpitação e dor de cabeça são sintomas que aparecem quando temos pressão alta?
R: Em termos. Esses sintomas aparecem em hipertensos, mas também aparecem em pessoas não hipertensas e podem ser causados por diversas doenças. Por isso, são sinais muito vagos para avaliar se a pressão está alta ou não. Ao sentir esses sintomas, procure seu médico.


8 - O que sentimos quando a pressão sobe rapidamente?
R: Tontura, palpitação, dor no peito, zumbido nos ouvidos e visão de pontinhos brilhantes são sensações comumente relatadas pelos hipertensos quando a pressão sobe rapidamente. Mas nem sempre esses sintomas aparecem. Portanto, fique atento a esses fatos, mesmo que ocorram de forma isolada. E lembre-se de uma coisa muito importante: algumas pessoas não sentem nada disso.


9 - Crianças podem ter pressão alta?
R: Sim. É menos freqüente ocorrer hipertensão em crianças, mas pode acontecer. O número de crianças hipertensas, inclusive, é significativo.


10 - É natural que pessoas idosas tenham pressão alta?
R: Não. É um erro pensar que a pressão aumenta conforme a idade. O idoso deve ter a pressão igual à de um adulto jovem.


11 - Qual a chance de filhos de hipertensos sofrerem de pressão alta?
R: Quando o pai ou a mãe são hipertensos, a chance de o filho ter hipertensão é de 25%. Quando ambos são hipertensos, há 60% de chance do filho também ter a doença.


12 - Mudanças de temperatura influenciam a pressão?
R: Sim. Em épocas mais quentes a pressão cai devido a uma vasodilatação que acontece por causa do calor. No frio acontece o contrário: os vasos ficam mais apertados por causa do frio e a pressão tende a aumentar.


13 - O remédio vicia?
R: Não. Os medicamentos usados para o tratamento da pressão alta não causam nenhuma forma de dependência física ou psicológica. Caso deixem de fazer o efeito esperado, podem ser trocados e isso não acarreta problemas ao organismo.


14 - Sendo hipertenso, posso continuar dirigindo?
R: Sim. Desde que a pressão esteja sendo tratada e que você já tenha observado qual o efeito da medicação sobre seu corpo, para não correr o risco de sentir tontura, por exemplo.


15 - O café faz a pressão subir?
R: Não. Não existe nada que comprove cientificamente que o café atue aumentando a pressão arterial.


16 - O tratamento ajuda quem nunca tratou a pressão alta?
R: Sim. Mesmo quem nunca tratou a pressão alta pode se beneficiar do tratamento. O ideal é que o tratamento comece assim que for diagnosticado o problema, mas nunca é tarde para começar.


17 - Todos os hipertensos têm o mesmo tratamento?
R: Não. O tipo de tratamento e a medicação variam de acordo com a pessoa, dependendo da existência ou não de complicações causadas pelo avanço da doença.


18 - É verdade que o remédio tem que ser tomado para sempre?
R: Sim. O remédio de hipertensão deve ser tomado para sempre porque a doença não tem cura.


19 - Todos os que tomam a medicação sofrem efeitos colaterais?
R: Não. Muitas pessoas não sentem nenhum efeito colateral, enquanto outras sentem. Por isso, é melhor não fazer comparações entre você e outros hipertensos.


20 - Há algum problema em tomar tranqüilizantes ou sedativos com o remédio de pressão?
R: Sim. Pode ser perigoso porque esse tipo de remédio pode aumentar o efeito de diminuição da pressão exercido pela medicação.


21 - A enxaqueca tem alguma coisa a ver com a alteração de pressão arterial, caso seja sim, qual seria a alimentação que se deve evitar e/ou ingerir... A alteração de pressão arterial pode provocar hemorragia?
R: A pressão arterial é uma variável fisiológica que é influenciada por vários fatores. A pressão arterial tende a elevar-se com emoções fortes, durante a prática de exercícios físicos, durante o uso do cigarro ou de bebida alcoólica e com sensações dolorosas. A enxaqueca, por tratar-se de uma dor de cabeça de moderada a forte intensidade, pode determinar a elevação da pressão arterial como um fenômeno secundário, ou seja, a pressão alta é uma conseqüência e não a causa da enxaqueca. A pressão alta por si só, geralmente não costuma causar dor de cabeça, a não ser que esteja em níveis muito elevados (acima de 20 por 12) ou que tenha se instalado em poucas horas ou dias. Quanto se a pressão alta causa "hemorragias", por este ser um termo bastante amplo, deve-se comentar alguns aspectos. A doença Hipertensão Arterial Sistêmica, que se caracteriza por várias medidas da pressão arterial acima de 14/9, se não tratada, pode causar um Acidente Vascular Cerebral Hemorrágico. Este tipo de "derrame" é determinado pelo rompimento de um pequeno vaso no cérebro devido aos níveis pressóricos constantemente elevados. Outra situação em que a pressão alta pode determinar sangramentos importantes são nas cirurgias. Em alguns procedimentos cirúrgicos, como nas cirurgias cardíacas ou vasculares, o bom controle da pressão arterial no intra e no pós-operatório é muito importante para minimizar os riscos de sangramentos. Uma situação bastante freqüente e que nada tem a ver com a pressão arterial alta é o sangramento pelo nariz. Nesta situação, a hemorragia é geralmente determinada por problemas locais do nariz ou por doenças do sangue como a leucemia.


22 - Na semana passada descobri que tenho pressão alta. Ela foi 18/12, já estou sendo medicada, mas tenho algumas dúvidas. Qual é o perigo da pressão baixa estar tão alta, o que pode me acontecer?
R: A pressão arterial tem dois componentes, a pressão sistólica (no seu caso 18) e a pressão diastólica (no seu caso 12) que correspondem às variações da pressão arterial durante os batimentos cardíacos (contração e relaxamento do coração). Quando a pressão sistólica encontra-se acima de 14 e/ou a pressão diastólica acima de 9 em pelo menos duas ocasiões diferentes, diz-se que a pessoa é portadora da doença Hipertensão Arterial ("Pressão Alta"). As pessoas que tem Hipertensão Arterial e não são tratadas adequadamente têm um maior risco de vir a sofrer de uma doença cardiovascular no futuro, como infarto no coração, "derrame" cerebral e insuficiência renal, independentemente se é a pressão sistólica, diastólica ou ambas que estejam elevadas. Mas não se preocupe exageradamente, com o tratamento esse risco praticamente desaparece. O importante é reduzir a sua pressão arterial através de mudança no estilo de vida, tais como perder peso, praticar exercícios físicos e reduzir o consumo de sal e álcool, bem como usar corretamente as medicações prescritas pelo seu médico.


23 - Além da medicação, o que pode ser feito para melhorar a saúde de um hipertenso de 75 anos.Quais os cuidados principais?
R: Há muitas medidas que podem ajudar a abaixar a pressão independentemente do uso de medicamentos para controle da pressão. O conjunto destas medidas recebe o nome de tratamento não medicamentoso da hipertensão.
Perder peso é a forma mais efetiva para controlar a pressão sem usar remédios, e não é necessário perder muito peso, em média, uma perda de 5 Kg abaixa a pressão em 5 mm Hg.
Fazer exercícios ajuda no controle da pressão, o efeito do exercício físico sobre a queda da pressão arterial é independente da perda de peso que ele pode proporcionar. Além disso, sabe-se que a atividade física não diminui o risco cardiovascular somente através da queda na pressão, melhora também o nível de colesterol e o perfil glicêmico.O objetivo deve ser: 30 minutos de atividade aeróbia, pelo menos três vezes por semana.
Beber álcool em quantidade moderada traz benefício cardiovascular, mas o consumo de mais de doid drinks diariamente provoca elevação da pressão.
Diminuir o consumo de sal é uma medida efetiva em alguns hipertensos, mas se há excesso de peso, perder peso é mais importante.
Aumentar o consumo de potássio ajuda no controle da pressão, isto pode ser feito através do aumento no consumo de frutas e verduras.
Parar de fumar traz não ajuda no controle da pressão mas diminui muito o risco de infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral(derrame).
O tratamento da pressão sem uso de medicação pode ser indicado como medida isolada em pacientes com pressão abaixo de 140x 90, desde que não haja outros fatores de risco cardiovascular, lesão em órgãos alvo de hipertensão, doença cardiovascular ou diabetes mellitus.



24 - Gostaria de saber mais sobre os efeitos da atividade física no controle da pressão arterial e quais são as modalidades de atividades físicas que podem ser indicadas para pacientes.
R: HIPERTENSÃO ARTERIAL E DOAÇÃO DE SANGUE

A hipertensão arterial não é um impedimento de finitivo à doação de sangue, ao contrário do que se diz, a doação não estabiliza a pressão em níveis mais altos.
Há uma resolução da ANVISA com regulamentações sobre o assunto:

Para doação, a pressão arterial sistólica não deverá ser maior que 180 mm Hg e a pressão diastólica não pode ser maior que 100 mm Hg e nem menor do que 60 mm Hg. Os candidatos à doação com pressão arterial não compreendida dentro dos valores mencionados só poderão ser aceitos após avaliação e aprovação de médico do serviço de hemoterapia.

Quanto aos hipertensos em uso de medicação para tratamento, a resolução determina o seguinte:

A. Drogas cujo uso não contra-indica doação de sangue:

· Diuréticos-hidratação prévia vigorosa
· Inibidores de enzima conversora de angiotensina(IECA), como o Captopril e Enalapril
· Antagonistas do receptor de angiotensina II como o Losartan
· Antagonistas de canais de cácio como a amlodipina e nifedipina

B. Os hipertensos em uso de drogas listadas a seguir poderão doar sangue se o uso for interrompido por 48 horas:

· Drogas de ação central, como Alfametildopa e Clonidina e Reserpina
· Beta-bloqueadores como propanolol e Atenolol
· Bloqueadores alfa adrenérgicos como Prazosin
· Vasodilatador direto: Minoxidil

C. Hipertensos em uso do vasodilatador de ação direta Hidralazina poderão doar sangue se uso for interrompido por 5 dias.

D. Usuários do antiarrítmico Amiodarona (Ancoron), não podem doar sangue enquanto estiverem usando o medicamento.

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25 - Quais os benefícios dos exercícios físicos para o controle da hipertensão?
R: O efeito do exercício físico sobre a queda da pressão arterial é independente da perda de peso que ele pode proporcionar. Além disso, sabe-se que a atividade física não diminui o risco cardiovascular somente através da queda na pressão, melhora também o nível de colesterol, e o perfil glicêmico (diminui o risco de que a pessoa se torne diabética). Em pacientes hipertensos que associam exercício ao uso de medicação anti-hipertensiva, o controle da pressão é mais fácil, pode inclusive diminuir a quantidade de medicação necessária para o controle. Em estudo americano realizado com pacientes negros, a associação entre as duas formas de tratamento, e não o uso de tratamento medicamentoso isoladamente, trouxe diminuição da espessura das paredes cardíacas - o aumento da espessura das paredes é um dos efeitos deletérios da hipertensão sobre o coração. Vale lembrar ainda que a atividade física que traz benefícios não é necessariamente aquela realizada em academia ou de modo formal. Por exemplo estivadores, trabalhadores na construção civil, ou carteiros fazem atividade física durante seu trabalho diário, e com isso têm risco cardiovascular reduzido em relação à população em geral. De modo análogo, a atividade física pode ser incorporada ao cotidiano de cada um, sem que seja necessário se engajar num programa formal: pode-se ir andando para o trabalho, descer do ônibus um ponto antes, estacionar o carro a um quarteirão de distância do destino e usar escadas ao invés de elevador. Existem também hobbies que envolvem atividade física, por exemplo, danças de salão ou marcenaria.

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26 - Qual é o mecanismo da hipotensão pós exercícios?
R: O nosso sistema circulatório funciona como uma mangueira de jardim, numa extremidade está o coração que, como uma torneira, injeta sangue no sistema. Na outra extremidade ficam os diversos órgãos, a mangueira se subdivide para poder irrigar cada um deles. Conforme variam as necessidades, a cada momento, o corpo pode regular o fluxo de sangue para cada órgão, como se em cada ponta da mangueira houvesse uma pequena torneira.

Quando fazemos exercício físico existe uma contração ativa da musculatura dos braços e pernas, esta atividade libera uma série de mediadores na circulação sanguínea. Isto faz com que aumente o fluxo de sangue para os músculos. A atividade muscular pode absorver grande parte do fluxo sanguíneo total. Para que isto ocorra, a maioria dos pequenos vasos do corpo aumenta de calibre, esta é a chamada vasodilatação. O efeito somado da dilatação dos vasos em todo o território muscular faz com que a pressão arterial caia.

Logo que iniciamos o exercício, existe uma fase de mediação neurológica, coordenada pelo sistema nervoso autônomo. Nesta fase o corpo se prepara para a ação que virá: fecham-se as torneiras de fluxo sangüíneo para todos os lugares em que o corpo puder economizar, a torneira de sangue para os músculos permanece aberta. Nesta fase chega mais sangue aos músculos, ou seja, eles estão mais perfundidos, só que a atividade de contração ainda não é máxima, e portanto os vasos não estão ainda completamente dilatados. Por este motivo, no início da atividade física, pode haver um aumento da pressão.

O exercício do tipo dinâmico é aquele em que ocorrem contrações rítmicas e constantes de grandes grupos musculares, por exemplo, andar, correr, pedalar e nadar. Em oposição a ele, existe o exercício estático, no qual a contração muscular é mantida até um pico de força, depois ocorre relaxamento. O protótipo deste tipo de exercício é o levantamento de peso.

O tipo de contração muscular do exercício dinâmico é aquele que causa maior vasodilatação com isso, a pressão vai aos poucos caindo. Porém, o pico de queda da pressão só ocorre após o término da atividade física, ele chega a atingir 20 mm Hg de queda na pressão sistólica e geralmente ocorre 30 minutos após o final do exercício. A hipotensão pós exercício se prolonga ainda por 3-4 horas após o término.

A hipotensão pós exercício se deve a vários motivos: com o término da atividade física, o coração diminui a freqüência e o volume de sangue bombeado, os músculos param de se contrair ritmicamente, mas os mediadores liberados, entre eles o ácido lático permanecem na circulação e mantém a vasodilatação. Além disso, o exercício causa aumento da temperatura corpórea e para aumentar a perda de calor ocorre mais vasodilatação, o território vascular que irriga a pele se dilata, a pessoa fica vermelha e aumenta a sudorese.

A queda na pressão é mais pronunciada se a atividade física ocorreu continuamente por pelo menos vinte minutos. Nos hipertensos, a hipotensão pós exercício é mais prolongada do que nos normotensos, chegando a durar 12 horas.

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27 - A musculação pode ser praticada por pessoas hipertensas?
R: Existem dois tipos de exercício, o aeróbico ou dinâmico, como andar, correr ou nadar, que desenvolve principalmente a resistência e o isométrico ou estático, por exemplo, levantamento de peso, cujo objetivo é desenvolver força.

Até recentemente, somente o exercício dinâmico era recomendado para hipertensos. A contra-indicação ao treino de força tem por base o fato de que neste tipo de exercício ocorre uma contração súbita e sustentada de um grupamento muscular contra resistência levando momentaneamente a um grande aumento das pressões sistólica e diastólica. Isto faz com que os halterofilistas tenham um aumento não somente da musculatura dos braços e pernas, mas também do musculatura cardíaca e das artérias.

Trabalho publicado no ano 2000 analisou 11 publicações sobre exercício estático para hipertensos mostrou que este tipo de exercício provoca uma pequena redução na pressão arterial, sem que no entanto, proporcione perda de peso.

A sociedade americana de cardiologia publicou, no início de 2000, artigo incentivando os exercícios isométricos, desde que combinados com os do tipo aeróbico. Os exercícios de musculação podem ser feitos três vezes por semana durante trinta minutos. Esta modalidade de exercício foi considerada segura para pessoas com pressão de até 160 x 100.

Vale ressaltar que o exercício aeróbico traz maior diminuição da pressão do que o isométrico e proporciona também perda de peso, que pode ser importante para muitos hipertensos.

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28 - Tenho pressão alta. Há maiores riscos caso me submeta a uma cirurgia qualquer?
R: Pesquisas em cirurgia não cardíaca mostram que pressão arterial abaixo de 180/110 não é um fator de risco para complicações cardiovasculares, mas o tratamento e controle de hipertensão está associado a menores taxas de mortalidade por doença coronária e acidente vascular cerebral fora do ambiente cirúrgico. Além disso, há uma excessiva variação intra-operatória da pressão e isquemia miocárdica detectável ao ECG em pacientes com hipertensão pré-operatória. Nestes casos, há também maior morbidade cardíaca pós-operatória. Estes problemas podem ser evitados com o tratamento. Antes da cirurgia, o paciente hipertenso deve ser submetido a uma avaliação geral procurando lesão em órgãos alvo da hipertensão: rins, coração e exame de fundo de olho. Com hipertensão leve ou moderada, sem anormalidades metabólicas ou cardiovasculares, não há evidências de que seja benéfico adiar a cirurgia, entretanto hipertensão estágio III, isto é pressão arterial maior que 180/110 deve ser controlada antes da cirurgia. Muitos trabalhos mostram que a introdução de beta-bloqueadores pode trazer uma modulação efetiva de flutuações severas da pressão arterial e uma diminuição de episódios de isquemia cardíaca. Entretanto, para pacientes com hipertensão leve de início recente, o tratamento pode ser adiado para depois da cirurgia de modo a evitar instabilidade na frequência cardíaca ou na pressão arterial.

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29 - Quais são as conseqüências da hipertensão quanto a retina, sistema vascular, rins, coração e cérebro?
R: As consequências da hipertensão nos diversos órgãos estão relacionadas principalmente à arteriosclerose que é a lesão na parede dos vasos e também à sobrecarga para o funcionamento de alguns deles. A hipertensão faz com que aumente a força do fluxo de sangue na parede dos vasos, isto pode causar feridas dentro deles que cicatrizam de um modo exagerado formando o trombo. Esta cicatriz pode entupir vasos de calibre menor e impedir a chegada de sangue. Se um trombo se forma num vaso do coração, pode ocorrer um infarto, que é a morte de tecido cardíaco. Se a mesma lesão ocorrer num vaso que irriga o cérebro, pode ocorrer um derrame, ou acidente vascular cerebral. O coração é um órgão particularmente suscetível na hipertensão, porque o aumento da pressão faz com que ele tenha que bombear sangue com muito mais força. Como ele é um músculo, ao fazer mais força ele aumenta de tamanho como o bíceps de um halterofilista, este aumento dificulta ainda mais a chegada de oxigênio e nutrientes.O rim, cuja função é filtrar o sangue que passa por ele, também fica sobrecarregado. Para que o sangue seja filtrado, ele atravessa poros microscópicos. A hipertensão aumenta a pressão de filtração e alarga os poros, com isso, proteínas como a albumina, que normalmente ficariam no sangue perdem-se na urina. Se não houver tratamento, esta perda de proteínas leva a uma piora gradual do funcionamento do rim e à insuficiência renal.Já na retina a hipertensão dificilmente causa perda de visão como faz o diabetes, utiliza-se o exame de fundo de olho pois ele permite o exame direto dos vasos, que aparecem estreitados. Se houver este tipo de alteração, infere-se que outros vasos do corpo devem também ter lesão pela arteriosclerose e o tratamento da pressão deve ser mais agressivo.


30 - É seguro praticar exercícios físicos quando se tem Hipertensão?
R: A prática de exercício físico é, de modo geral, bastante segura. Mesmo em pacientes com doença cardíaca envolvidos em programa de reabilitação, a taxa de complicações atribuíveis à prática de exercício varia entre 1/100.000 até 1/300.000 e o risco de eventos cardíacos adversos diminui com a prática regular de atividade física. Mesmo com baixo risco e poucas complicações, se você pretende começar atividade física é necessário primeiro procurar orientação médica. O médico poderá ter uma idéia geral do seu estado de saúde e prescrever atividade física adequadamente, ou ainda contra indicar a prática de atividade física até que haja condições adequadas, por exemplo, é necessário estar com a pressão controlada antes de começar a se exercitar, pois durante o exercício a pressão costuma subir. Vale lembrar ainda os principais sinais de alerta que indicam a necessidade de procurar imediatamente atendimento médico: dor torácica em aperto (angina) precipitada por exercício, sensação anormal de falta de ar ou cansaço durante o exercício, tontura ou palpitações cardíacas precipitada pelo esforço. Para começar a se exercitar após os 40 anos pode ser útil procurar atividades de menor impacto, pelo menos no início, tais como, hidroginástica, natação ou bicicleta ergométrica. Além da prática de exercício formal, é possível exercitar se também no dia-a-dia: pode-se usar escadas ao invés de elevador, descer do ônibus um ponto antes e caminhar uma parte do percurso, parar o carro um pouco mais longe do destino e caminhar um trecho, ou aproveitar o fim de semana para uma caminhada no parque com a família ou as crianças.


31 - A Hipertensão possui uma base genética?
R: Muitas doenças comuns como a hipertensão aparecem com maior frequência em algumas famílias do que noutras, mas os gens não se segregam de forma Mendeliana, mas sim através de um padrão complexo de herança com influência importante do ambiente. A agregação familiar de uma doença pode ser devida a gens compartilhados, a um ambiente com determinadas características ou a ambos, isto é, há uma suscetibilidade genética a fatores ambientais causando a doença. Um parâmetro bastante utilizado para agregação familiar é se o risco de recorrência da condição estudada é maior num parente próximo de alguém afetado do que na população em geral. A agregação familiar deve variar em função do grau de parentesco: a recorrência da condição tem que ser mais comum em gêmeos monozigóticos do que em dizigóticos e mais comum em parentes de primeiro grau do que de segundo grau, etc. Quanto maior for esta associação, tanto mais fácil será identificar o componente genético por trás de um determinado fenótipo. Além disso, pode-se procurar fenótipos raros, por exemplo no caso da hipertensão, estudou-se pessoas com sídrome de Liddle, que é uma síndrome rara na qual associam-se hipertensão, hipocalemia e baixos níveis de aldosterona, o defeito já foi mapeado no gen do canal de sódio do epitélio renal, ainda não se sabe se ele tem um papel na hipertensão essencial. Um modo teoricamente possível de buscar componentes genéticos seria sequenciar um determinado gen de todos os indivíduos com hipertensão e também de normotensos e procurar variações associadas à presença de hipertensão. Entretanto, dado o grande número de genes e as limitações que os métodos de sequenciamento ainda possuem, esta não é uma estratégia viável. Utiliza-se então a análise de linkage, compartilhamento de alelos, análise de associações que são métodos que tentam encontrar o gen pela associação de determinadas características, estudando-se a distribuição dos gens em linkage(ligação) num dado cromossomo através de análise estatística. Como a hipertensão é uma doença muito comum e heterogênea, os métodos citados são pouco utilizados e o modelo mais usado é o de gens candidatos, que são aqueles que por sua função devem estar relacionados à doença. Segue-se prospectivamente um grupo de pacientes (coorte) com diferentes variações do gen em questão. O maior problema desta abordagem é que ainda não são conhecidos todos os gens relacionados ao sistema cardiovascular, estima-se que sejam 15-30.000 mas é um método promissor quando estiver terminado o projeto genoma. Um dos gens candidatos que vem sendo pesquisado é o do sistema renina angiotensina aldosterona que é um dos mais importantes na regulação da pressão arterial. Vem sendo muito estudado, e um dos maiores avanços no campo da genética da hipertensão é o gen do angiotensinogênio, que é o componente que inicia a cascata hormonal, descoberto no cromossomo 1q. O uso de modelos animais é útil porque as condições do ambiente em laboratório podem ser mantidas constantes e os gens descobertos podem ser posteriormente utilizados em animais transgênicos, dando provas do significado biológico do gen. No caso do sistema RAA, ratos com deficiência do gen são hipotensos e aqueles com mais cópias do gen têm pressão mais altas do que os ratos com menos cópias. Entretanto estudos de linkage entre este locus e hipertensão foram controversos. Ao que parece, o gen do angiotensinogênio pode ser o responsável pela relação entre sal e hipertensão, há três variantes possíveis: AA, AG e GG, as pessoas com a variante AA seria mais sensíveis ao sódio, isto é a pressão aumenta se for consumida maior quantidade de sódio e diminui se o consumo for reduzido. Existem também outras áreas de pesquisa, como a resistência à insulina e os niveis de produção de óxido nítrico pelo endotélio, mas a hipertensão essencial ainda não teve sua genética elucidada, é possível que este diagnóstico agrupe muitos processos fisiopatológicos diferentes, por exemplo, alterações na musculatura lisa ou no controle de sódio e água, ou ainda, ela pode ser o resultado final da influência de muitos sistemas fisiológicos diferentes. A dissertação:Molecular Genetics of Hypertension and Related Traits que serviu de base para este texto, pode ser consultada no endereço: http://press.terkko.lib.helsinki.fi/terkkopress/digidiss/1999/perolamarkus.pdf.


32 - Por que às vezes ocorre queda de pressão após a pratica de uma atividade física?
R: O nosso sistema circulatório funciona como uma mangueira de jardim, numa extremidade está o coração que, como uma torneira, injeta sangue no sistema. Na outra extremidade ficam os diversos órgãos, a mangueira se subdivide para poder irrigar cada um deles. Conforme variam as necessidades, a cada momento, o corpo pode regular o fluxo de sangue para cada órgão, como se em cada ponta da mangueira houvesse uma pequena torneira. Quando fazemos exercício físico existe uma contração ativa da musculatura dos braços e pernas, esta atividade libera uma série de mediadores na circulação sanguínea. Isto faz com que aumente o fluxo de sangue para os músculos. A atividade muscular pode absorver grande parte do fluxo sanguíneo total. Para que isto ocorra, a maioria dos pequenos vasos do corpo aumenta de calibre, esta é a chamada vasodilatação. O efeito somado da dilatação dos vasos em todo o território muscular faz com que a pressão arterial caia. Logo que iniciamos o exercício, existe uma fase de mediação neurológica, coordenada pelo sistema nervoso autônomo. Nesta fase o corpo se prepara para a ação que virá: fecham-se as torneiras de fluxo sangüíneo para todos os lugares em que o corpo puder economizar, a torneira de sangue para os músculos permanece aberta. Nesta fase chega mais sangue aos músculos, ou seja, eles estão mais perfundidos, só que a atividade de contração ainda não é máxima, e portanto os vasos não estão ainda completamente dilatados. Por este motivo, no início da atividade física, pode haver um aumento da pressão. O exercício do tipo dinâmico é aquele em que ocorrem contrações rítmicas e constantes de grandes grupos musculares, por exemplo, andar, correr, pedalar e nadar. Em oposição a ele, existe o exercício estático, no qual a contração muscular é mantida até um pico de força, depois ocorre relaxamento. O protótipo deste tipo de exercício é o levantamento de peso. O tipo de contração muscular do exercício dinâmico é aquele que causa maior vasodilatação com isso, a pressão vai aos poucos caindo. Porém, o pico de queda da pressão só ocorre após o término da atividade física, ele chega a atingir 20 mm Hg de queda na pressão sistólica e geralmente ocorre 30 minutos após o final do exercício. A hipotensão pós exercício se prolonga ainda por 3-4 horas após o término. A hipotensão pós exercício se deve a vários motivos: com o término da atividade física, o coração diminui a freqüência e o volume de sangue bombeado, os músculos param de se contrair ritmicamente, mas os mediadores liberados, entre eles o ácido lático permanecem na circulação e mantém a vasodilatação. Além disso, o exercício causa aumento da temperatura corpórea e para aumentar a perda de calor ocorre mais vasodilatação, o território vascular que irriga a pele se dilata: a pessoa fica vermelha e aumenta a sudorese. A queda na pressão é mais pronunciada se a atividade física ocorreu continuamente por pelo menos vinte minutos. Nos hipertensos, a hipotensão pós exercício é mais prolongada do que nos normotensos, chegando a durar 12 horas.


33 - O que é infarto do miocárdio?
R: Infarto significa morte de tecido e miocárdio é o tecido cardíaco. Para que ocorra infarto, uma das artérias que levam sangue para o coração é ocluída causando a morte das células musculares cardíacas. As células musculares do coração não somente se contraem impulsionado o sangue, mas também transmitem o impulso elétrico que faz com que o coração bata de modo organizado. Esta onda elétrica é normalmente captada pelo eletrocardiograma que a representa de modo gráfico. Deste modo, o eletrocardiograma pode mostrar alterações na condução elétrica indicativas de morte de células cardíacas. Estas alterações na condução elétrica podem gerar arritmias e uma contração dessincronizada que podem, por sua vez, causar uma parada cardíaca ou um infarto fulminante. O processo que leva a artéria a se ocluir é a placa de arteriosclerose, a gordura se deposita na parede interna do vaso formando uma ferida, quando ocorre cicatrização, o sangue pode coagular no local e acabar entupindo o vaso, isto faz com que o músculo cardíaco entre em sofrimento por falta de oxigênio, durante este proceso ocorre dor. A dor do infarto geralmente situa-se sobre o lado esquerdo do peito, em aperto ou opressão, pode se irradiar para o braço esquerdo ou para as costas, e ser acompanhada de sudorese fria, náuseas, vômitos e sensação de morte. Quando a dor começa, o músculo cardíaco ainda está vivo e se a pessoa chegar no hospital a tempo, pode-se usar drogas que diluem o coágulo e permitem a volta da circulação, esta é a chamada trombólise. Por este motivo, a pessoa com os sintomas de dor cardíaca deve procurar o hospital imediatamente, quanto mais rápido, maior a chance de salvar o músculo cardíaco. Se o processo de oclusão da artéria ocorrer lentamente, antes do infarto, pode ocorrer angina: a artéria fica parcialmente ocluída e a pessoa só tem dor a partir de um certo patamar de esforço. Nesta fase, outros vasos podem se formar e suprir a área onde falta sangue, formando a chamada circulação colateral, se a rede de vasos for bem desenvolvida, mesmo que a artéria doente termine por se fechar completamente, pode não ocorrer infarto.



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